Estava eu em mais uma tarde de sábado ( 23 de janeiro de 2009) no tradicional cabeleireiro/barbeiro, para dar “um grau na cabeça”. A barbearia fica na Rua do Paty, uma das artérias do bairro São Caetano em Itabuna/BA.
Enquanto aguardava a minha hora, um jovem aparentando uns 28 anos, trabalhador de uma das indústrias têxtil da cidade, fazia cabelo e barba. O motivo era especial, seu casamento que ocorreu no mesmo dia, com as bênçãos do Pe. Tony.
Ele estava acompanhado de dois amigos que davam apoio ao futuro pai de família. Surgiram logo contribuições, um deles passou uma nota de R$ 50,00 e outras notas de R$10,00 para ajudar na cerveja. O outro colega avisou que iria ver a máquina para tirar as fotos do casório, e logo voltou para dizer que tava tudo certo, tinha capacidade/espaço ainda para cem fotos.
Então eu pensei, nossa quanta solidariedade para um casamento! Mas, a melhor tava por acontecer: a história do casamento do barbeiro!
Quando sentei na cadeira para o trato da cabeça/cabelo, o barbeiro foi logo comentando:
-
No dia que casei rapaz, eu só tinha um barraco em construção, tava pagando os movéis, devia uns R$ 2.000,00 de prestações e material da construção.
O barbeiro continuou trabalhando e falando:
- Eu casei no Fórum, não deu para casar na Igreja, e não tive como fazer recepção. E ai lá no Fórum, um irmão da Igreja me perguntou no meu ouvido se eu iria para algum lugar depois dali, eu disse que não sabia. Então ele disse que tinha uma confraternização no final de linha do São Caetano que os irmãos da Igreja tinham preparado.A máquina cortava meu cabelo e eu quase nem percebia, envolvido na história do barbeiro. Chegaram mais dois clientes, que passaram a ouvir atentamente a conversa do barbeiro.
E ele segue dizendo:
- Na confraternização, um outro irmão chegou para mim e perguntou se eu iria sair, para a lua de mel. Eu disse não sei! (Eu não tinha para onde ir, minha casa tava sem terminar ainda; talvez fosse para casa da minha sogra ou do meu tio). O irmão tirou um papel do bolso e me presenteou ali mesmo com cinco diárias em uma Pousada recém construída em Ilhéus com tudo pago.
- Logo depois um amigo perguntou como eu iria para Ilhéus, eu demorei de responder, pois nem dinheiro para passagem eu tinha, quando ele me ofereceu uma carona no carro dele e me levou até a pousada, com o compromisso de quando terminar a lua de mel me buscar.Nisso, o barbeiro já estava fazendo o pé do cabelo. Comentou que recepção de casamento se faz para os outros, e depois que as pessoas empapuçam a barriga, tem aqueles ainda que sai falando mal.
Um dos clientes que ouvia a conversa balançou a cabeça concordando e disse que isto é verdade, já o outro cliente permaneceu estático, nos ouvindo, quando o barbeiro surpreendeu mais uma vez:
-Lá na Pousada foi bom de mais, “como diz o povo”, tomei banho na piscina, chupei melancia no café da manhã, comi pão com queijo e presunto. A dispensa tinha de tudo. E ainda fiz amizade com o gerente da Pousada, ele me deu mais cinco dias de diárias. Só tinha eu, minha esposa e os funcionários, a dona tava perto de chegar do exterior para inaugurar. O barbeiro já tinha acabado o serviço no meu cabelo, eu estava me preparando para pagar a ele e voltar para casa. Mas, ele emendou mais um fato do seu casório:
-Eu dei foi sorte. Comprei umas coisas baratas antes de casar, comprei uma cama de casal e um colchão D 45, tudo novinho rapaz, dos parentes de minha mulher lá do Rio de Janeiro que o marido tinha morrido, por R$ 100,00. Um detalhe importante é que esta boa história foi contada em 30 minutos sem interrupções. O barbeiro estava bastante alegre, parecia está satisfeito com o casamento.